É hora da Festa das Cerejeiras do Parque do Carmo

Das festas que acontecem ao longo do ano em São Paulo, a Festa das Cerejeiras do Parque do Carmo é uma das mais esperadas. A beleza de ver um bosque de cerejeira em flor é, de fato, empolgante, o que só prova o poder que a natureza pode exercer sobre as pessoas.

Essa festa acontece há 41 anos no Parque do Carmo, na Zona Leste. Ela começou em 1978 por iniciativa da colônia japonesa que se estabeleceu na região de Itaquera. O imigrante Katsutoshi Matsubara (1904 – 1997) foi o homem que começou a sonhar e a mobilizar as pessoas para ter um bosque em São Paulo onde fosse possível praticar o Hanami, que significa “ver as flores”. Esse é o nome que a celebração das cerejeiras leva no Japão, onde é um evento tradicional que marca o fim do inverno e o começo da Primavera. É quando as pessoas simplesmente param para contemplar as cerejeiras em flor. Tem a ver com aproveitar o momento presente, já que as flores são muito delicadas e duram poucos dias.

O bosque em plena São Paulo

Por aqui, a colônia japonesa de Itaquera quis reproduzir essa tradição e encontrou espaço no Parque do Carmo, que tem 1 milhão e 500 mil mil m². Nos primeiros anos, ao longo da década de 1980, a festa era menos badalada, durava apenas um dia e não reunia tantas pessoas (a cidade também era menor). Hoje, a Festa das Cerejeiras atrai público de todas as regiões de São Paulo e também de outras cidades. Em 2018, foram cerca de 100 mil pessoas nos 3 dias de festa.

2013-08-06 BOSQUE DAS CEREJEIRAS

Organizada pela Federação Sakura e Ipê do Brasil, uma associação que reúne 18 associações da Zona Leste de São Paulo, a Festa das Cerejeiras tem música, comida, apresentações folclóricas, venda de mudas e é um momento de contemplação e também uma forma de arrecadar fundos para que, ao longo do ano, sejam feitos os trabalhos de manutenção do bosque, que tem cerca de 4 mil árvores de três espécies: Yukiwari, Himalaia e Okinawa. A espécie vista durante a festa é a Yukiwari, a última a florescer.

O bosque de São Paulo não é tão homogêneo e denso como os vistos no Japão mas, ainda assim, forma um belo espetáculo aos sentidos. Sergio Oda, que é membro da associação e participa da festa desde 1985, confirma o uso de um produto que induz a floração para assegurar que as cerejeiras estarão floridas nos dias da festa. Mas, os detalhes do que é feito é mantido em segredo.

Para ele, a importância dessa festa está no simbolismo. “A ideia do plantio da cerejeira no Parque do Carmo é agradecer a terra que acolheu nossos pioneiros deixando esse lindo bosque como presente”.

As cerejeiras são pra contemplar, não para machucar

Um dos grandes desafios dos organizadores da festa é conscientizar as pessoas de que o Hanami é uma atividade de observação e, por isso, não é preciso retirar um pedaço da planta. A quebra de galhos pelos visitantes é um problema que o bosque das cerejeiras enfrenta desde o começo. Esse tipo de atitude foi um dos motivos que fez com que a colônia japonesa instalasse, em 1982, grades para cercar o bosque. “Quando um galho é quebrado, a planta fica com um ferimento por onde entram fungos que atacam e prejudicam a árvore”, diz Sergio.

A editora da revista literária Quatro Cinco Um, Paula Carvalho, relata uma experiência que teve em um bosque no Japão neste ano. Ela conta que pegou um galho com 3 flores do chão e logo foi interceptada por um guarda, porque, por lá, não é permitido encostar nas cerejeiras. “Enquanto ele fala num walkie-talkie, procuro explicar em inglês que o galho já estava no chão, que não era a culpada. Coloco de novo o ramo sobre a terra, ele me olha com uma expressão de interrogação, pega as flores do chão, parece entender o que quero comunicar, inclina-se para a frente me cumprimentando e me libera para continuar meu passeio. Quase sou multada por um ato alheio de vandalismo”. Isso mostra o quão sagrado é, para os japoneses, a floração das cerejeiras.

Festa das Cerejeiras do Parque do Carmo
Quando: Dia 2, das 12h às 17h. Dias 3 e 4, das 9h às 17h.
Onde: Parque do Carmo – Avenida Afonso de Sampaio e Souza, 951, Itaquera.
Quanto: Grátis.
Como chegar: Nos três dias da festa, a região do Parque do Carmo fica muito movimentada (principalmente no sábado e domingo). Então, a dica é usar transporte público. A linha 4050/10 Metrô Itaquera – Pq. Do Carmo vai funcionar nos três dias da festa das 8h às 18h15. É uma linha criada para o evento e há cobrança de passagem.

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