Na região central da cidade, a Escola de Botânica existe desde 2015 e oferece workshops sobre temas relacionados ao universo botânico.

Aproximar as pessoas das plantas e tornar o conhecimento científico sobre elas acessível é o propósito da Escola de Botânica, fundada pelos biólogos Anderson Santos e Gisele de Oliveira em 2015. A escola nasceu da paixão deles pelas plantas e pela educação e oferece workshops sobre temas variados dentro do universo botânico, como “Cultivo de plantas em casas e apartamentos”, “Secagem de flores e folhas”, “Plantas adequadas para terrários” e “Cultivo de orquídeas”. São cursos rápidos, com cerca de 3 horas de duração, e não é preciso ser conhecedor das plantas e seus cuidados para se matricular em alguma aula. A ideia é atingir um público diverso, levando a informação com uma linguagem mais simples e acessível. As aulas são divididas em 3 áreas: Conhecimento técnico (poda, identificação de árvores etc), Artístico (extração de pigmentos, produção de tinta, aquarela etc) e Resgate Afetivo (tingimento de tecidos, cozinhar com plantas etc).

Gisele e Anderson são os sócios que criaram a Escola de Botânica. Foto: Julia Rettmann

Anderson teve a ideia de criar a escola de Botânica depois da experiência como professor em escolas públicas e privadas, universidades e escola técnica. Foi na sala de aula que ele se realizou profissionalmente e onde percebeu que existe uma lacuna muito grande no conhecimento botânico dos brasileiros. E a escola, ele acha, tem uma parcela de culpa nisso.  “A gente praticamente só tem uma experiência com planta ao longo da vida escolar, que é plantar o feijão no algodão. Depois, no Ensino Médio, aprendemos sobre angiospermas e gimnosperas, e todo mundo odeia porque precisa decorar. Aí fica essa lacuna, dos 5 até os 14 anos de idade”. O resultado, ele avalia, é que no país com o maior número de espécies de plantas do planeta, as pessoas não sabem nada sobre plantas.

A onda verde em São Paulo
Anderson conta que mais de 2 mil alunos já passaram pelos cursos da Escola de Botânica, um número que o surpreende e anima, mostrando que existe uma demanda por mais informação acessível sobre esse universo. O crescente interesse das pessoas por temas relativos à agricultura urbana, comida orgânica, parques, praças e áreas verdes dentro das cidades certamente ajudou a levar mais pessoas para os bancos dessa escola. “Esse interesse coletivo pelas plantas faz parte de um movimento que começou na Europa. Quando a França decidiu não plantar mais alimentos transgênicos, as pessoas começaram a cultivar hortas em todos os lugares por lá. E a gente vive a onda das imagens e das redes sociais. Vemos as imagens do que acontece de bonito lá fora e começamos a replicar. Aí, o mundo todo começou a fazer isso. Não foi por uma consciência da necessidade. Não tenho a menor dúvida de que isso começou por influência do Instagram e do Pinterest, das pessoas verem essas imagens de casas lotadas de plantas na Europa”.

De um lado, a Escola de Botânica, dou outro, a loja Selvva. Um casamento perfeito entre dois negócios.

A escola e a cidade
Desde o começo, a Escola de Botânica passou por 3 endereços em São Paulo, sempre no centro da cidade e próxima ao metrô. “Essa era uma questão muito clara pra mim: o metrô tinha que estar perto. São Paulo é uma cidade difícil, a gente apresenta um tema novo, sobre o qual as pessoas não estão acostumadas, então, se ficar difícil chegar, ninguém vai”, conta Anderson. O primeiro endereço foi a loja Selvvva, na Galeria Metrópole, onde eles ocupavam uma sala para os workshops. Depois, se mudaram para a cobertura de um prédio no 20º andar, na Avenida São Luis, onde havia um jardim suspenso no meio da cidade, com jabuticabeira, maracujá e outras plantas. “Essa foi uma experiência incrível. O fato de estar em um prédio, no centro de São Paulo, cercado por um jardim e vendo a cidade quase sem verde, nos fez pensar e refletir sobre muitas coisas. Foi ali que percebemos o quanto São Paulo precisava de uma escola que abordasse esse assunto. Não teríamos tido essa percepção se não tivéssemos ido pra esse lugar. Lá, as pessoas se surpreendiam em ver um jardim no alto de um prédio. Era impressionante ver como as pessoas lidavam com aquilo e o quanto aquilo era inédito pra elas. Foi quando eu pensei: não pode ser inédito”. No começo deste ano, a Escola de Botânica deixou a cobertura e foi para o térreo de um prédio na Avenida Angélica, espaço que dividem com a Selvvva, em um casamento perfeito de dois negócios que conversam na sua essência.

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3 comentários

  1. […] O encontro com o universo da agricultura urbana veio junto com a adoção do Heitor, o cachorro que ela resgatou na Avenida Heitor Penteado, em São Paulo. Ela era sócia de uma empresa de design digital, morava em apartamento e tinha guardada dentro de si a vontade de plantar. A chegada do Heitor fez com que procurasse uma casa onde pudesse ficar com ele. Achou o sobrado e fez a mudança. O desafio era plantar sem ter terra no chão, já que toda a laje era revestida. Foi quando ela resolveu estudar sobre agricultura urbana e descobriu que podia transformar aquele espaço frio em um espaço verde sem quebrar o chão. Criou toda a horta em caixotes, vasos, latas, suportes, caixa de isopor etc. “Fiz um curso intensivo de Agricultura Urbana no Arboreser e vi pela primeira vez o que é uma horta agroecológica. Até então, a minha ideia de horta eram aquelas linhas de alface”, conta. E a laje virou um espaço de experimentação e a ajudou a fazer uma transição de carreira. “Quando eu vi que tinha uma hortinha legal, pensei que poderia ajudar as pessoas que tinham as mesmas dúvidas que eu tive. E aí criei uma oficina e abri a casa. As primeiras oficinas se chamavam ‘horta em qualquer lugar’ e eu mostrava para as pessoas o que tinha feito”. Aprimorada, ela se transformou na oficina “Compostar + Plantar”, que ela ministra na Escola de Botânica. […]

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