Lixo Zero é um conceito pelo qual a vida humana deve ser pautada pela mínima geração de lixo. Isso vale para todas as esferas: sociedade civil, poder público e poder privado.

A ideia por trás desse conceito é nos fazer entender o quanto a geração de lixo impacta o mundo, qual a nossa responsabilidade nisso e nos levar a mudar comportamentos para gerar cada vez menos lixo e perceber o valor que existe em cada resíduo. 

Formalmente, a definição de Lixo Zero diz o seguinte: 

“É uma meta ética, econômica, eficiente e visionária para guiar as pessoas a mudar seus modos de vidas e práticas de forma a incentivar os ciclos naturais sustentáveis, onde todos os materiais são projetados para permitir sua recuperação e uso pós-consumo.” 

Essa definição foi criada pelo Movimento Zero Waste, que é representado no Brasil, desde 2010, pelo Instituto Lixo Zero.

Dá pra não gerar lixo?

Para responder a essa pergunta é preciso, primeiro, entender o que é lixo. Temos o hábito de dizer que tudo que “jogamos fora” (lembrando que esse fora não existe) é lixo. Mas não é bem assim. 

Na prática, o lixo existe quando misturamos todos os tipos de resíduos: recicláveis, orgânicos e rejeitos. E aqui vale explicar cada um desses conceitos: 

Recicláveis: É tudo que tem potencial de ser utilizado novamente, seja com a mesma função ou com outra função. A reciclagem acontece quando um produto ou material é processado e transformado em algo novo.

Orgânicos: É o lixo da cozinha, como as cascas de vegetais, folhas que murcharam e não foram usadas etc. Ele pode ser compostado e virar adubo

Rejeitos: É aquele resíduo que não tem como ser aproveitado, como restos de comida cozidas e processadas e o lixo do banheiro.

Quando misturamos esses três tipos de resíduos, inviabilizamos o reaproveitamento deles e o transformamos em lixo. Por isso é importante entender e criar um sistema de separação do lixo em casa.

Foto de Nadi Lindsay no Pexels

A ideia de Lixo Zero tem muito a ver com o estilo de vida que escolhemos. Ao contrário da ideia de que a reciclagem é a grande solução para o problema do lixo (o que está bem longe de ser um consenso), o Lixo Zero parte do pressuposto de que é preciso começar a jornada repensando o consumo e o descarte. A reciclagem é super importante, mas na hierarquia de ações estipuladas pelos cinco Rs do conceito Lixo Zero é a última!

REPENSAR: Acabar com a ideia que resíduos são sujos. Não descartar no lixo comum ou misturar materiais que poderiam ser reciclados.

REUTILIZAR: Diversos objetos e materiais podem ser utilizados de outra maneira antes de serem encaminhados para a reciclagem. Ex.: usar uma folha de papel dos dois lados.

REDUZIR: Gerar o mínimo possível de lixo. Ao invés de lixeiras, residuários e contentores para acomodar os materiais.

RECICLAR: Aproveitar a matéria prima do resíduo para fabricar o mesmo ou outro tipo de produto, sem encaminhá-lo para aterros.

Como colocar o Lixo Zero em prática na vida cotidiana da cidade?

Como diz a Fernanda Cortez, do Menos 1 Lixo, “quando a gente mira em lixo zero, a gente produz muito menos lixo no dia a dia”.

E existem muitas coisas que podem ser feitas para isso: 

Repensar o consumo: Esse é o início da jornada. Antes de consumir, vale refletir sobre a real necessidade de ter determinado produto. Vale também analisar o que você está consumindo. Por exemplo: pra que comprar a mexerica descascada na bandeja de isopor? Você estará gerando lixo em um consumo que não geraria nenhum tipo de resíduo (a casca pode voltar para a natureza e virar adubo). 

Compostar em casa: Compostar é transformar resíduos orgânicos em terra, em matéria viva, em adubo. Existem algumas formas de fazer isso e muitas delas são super possíveis de serem feitas em casas e apartamentos. O minhocário é um dos processos que podem ser feitos dentro de casa, sem sujeira, usando caixas plásticas empilhadas. Você vai poder transformar as cascas de vegetais em húmus e usar nas suas plantas ou doar para quem precisa. 

“Viver sem produzir lixo é um exercício em todas as esferas da vida urbana. Tudo que compõe uma casa, que é consumido, comido ou vestido tem potencial para acabar em algum aterro”.

Fernanda Franco Cannalonga 

Enviar para reciclagem: basta separar o lixo orgânico do lixo seco. Em alguns lugares, a própria prefeitura oferece a coleta. Se não for o caso, você pode encontrar uma cooperativa da sua confiança e passar a enviar os seus recicláveis diretamente para ela. 

Consertar o que quebrou em vez de jogar fora: ao longo do tempo, adquirimos o hábito de trocar as coisas muito rapidamente. Será que não dá pra começar a consertar antes de descartar e comprar um novo? É um tipo de atitude que ajuda a reduzir o lixo e também te ajuda a economizar. 

Quem já está colocando em prática em São Paulo? 

Além de falar sobre o tema, o Instituto Lixo Zero atua como uma certificadora de estabelecimentos. E, em São Paulo, eles certificaram em 2020 o salão de beleza Na Bahia, que implementou uma série de mudanças para reduzir ao máximo a geração de lixo do local. Hoje, apenas os resíduos de banheiros seguem sendo recolhidos pelo serviço de coleta urbana. 

O restante ganha novos destinos. Para os resíduos mais complexos, como tinta, esmalte e spray, o salão conta com o serviço de uma empresa que faz essa coleta e o processamento. Tintura de cabelo, cera de depilação, lixa de unha e algodão, por exemplo, viram um blend que serve de combustível para a indústria de cimento, evitando o uso de energia fóssil. 

As embalagens de spray são despressurizadas, têm os componentes separados, como ferro, alumínio e plástico, que são encaminhados para a reciclagem. 

Os vidros de esmaltes também são reciclados. Já o esmalte em si é tratado e tem dois destinos possíveis: volta para a indústria como solvente ou é transformado em zarcão, substância utilizada para evitar ferrugem.

Até mesmo o cabelo que é cortado já tem destino: ele é estocado para virar mantas de contenção de manchas de óleo no mar. Esse recurso ganhou destaque a partir de 2010, quando a ONG Matter of Trust organizou uma mobilização internacional para coletar fibras e materiais diversos, incluindo cabelo, num esforço para conter a enorme mancha que se formou depois que a explosão de uma plataforma despejou o equivalente a milhões de barris de petróleo no Golfo do México.

Como se pode ver, o Lixo Zero é um caminho.  É uma forma de se posicionar no mundo em busca de um equilíbrio entre a nossa vida urbana e aquilo que usamos e devolvemos ao Planeta. 

Afinal, o “fora” da famosa expressão “jogar fora”, não existe. Estamos todos no mesmo Planeta. 

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