Muito sobre orgânicos

Ao entrar no supermercado e escolher comprar comida orgânica, provavelmente você está pensando na sua saúde e na saúde da sua família. Esta é, afinal, a primeira dimensão que salta ao olhos quando o tema dos orgânicos aparece. E costuma vir acompanhada de questionamentos sobre o preço destes produtos, já que a justificativa mais comum para não consumir orgânicos é porque são mais caros do que os alimentos convencionais (o que nem sempre é verdade).

Mas é bom saber que ao comprar orgânicos você não está beneficiando apenas a sua saúde. Essa é uma escolha que tem a ver, também, com política, economia, meio-ambiente e até questões sociais. Comida, aliás, sempre está relacionada a questões que vão além de nutrientes e saúde. Agronegócio, indústria alimentícia, agroecologia, políticas públicas e produção artesanal são apenas alguns assuntos que se desenrolam a partir do tema comida

Para quem tem vontade de consumir alimentos orgânicos mas se pergunta se vale a pena, se eles de fato são mais saudáveis, se ao consumi-los estamos ajudando mesmo o meio-ambiente, dentre outras questões, separamos uma lista de links repletos de informação.

Separe um tempinho para ler e ouvir e chegar na próxima compra muito mais bem informado. Quem sabe, transformado!

O beabá dos orgânicos

Este guia preparado pelo caderno Paladar, do jornal O Estado de S.Paulo, traz informações básicas e fundamentais para quem quer ingressar no mundo dos orgânicos. O material responde, de forma objetiva, questões sobre certificação, qualidade, valor nutricional, preço, formas de retirar (ou não) os agrotóxicos, entre outras. Clique aqui para ler.

A questão dos preços

Uma pesquisa feita em 2016 pela Rede Brasileira de Grupos de Consumo Responsável comparou o preço de alimentos convencionais, orgânicos e em transição agroecológica. A conclusão foi que esse preço depende muito do canal de comercialização. Em geral, quanto menos intermediários houver, mais barato para o consumidor. Por isso, o fortalecimento de feiras de produtores é importante. Embora seja de quatro anos atrás, vale a pena acessar essa pesquisa para abrir o olhar sobre a questão dos preços. Clique aqui para ler.

Agrotóxicos e orgânicos

O tema “agrotóxicos” rende muito assunto. Em geral, cospe-se a informação de que o Brasil é maior consumidor do mundo, de que por aqui são liberados produtos proibidos em outros lugares etc. De fato, somos um país bem permissivo nesse assunto, que tem pano pra manga. Por isso, separamos alguns links que colocam em pauta esta questão. Vale acessar cada um deles com tempo e atenção para que você possa formar sua própria opinião.

  • Aqui, um texto do UOL que fala sobre o aumento do número de agrotóxicos liberados no Brasil em 2019. Tem informações de como são feitas essas aprovações e questionamentos e ponderações baseadas em pesquisas. Clique aqui para ler.
  • Os agrotóxicos têm uma história ligada aos armamentos de guerra. Nesta reportagem, o Nexo conta como eles surgiram, como foram difundidos pelo mundo, como é a regulamentação em outros países, qual o efeito desse tipo de produto na natureza, entre outros pontos. Clique aqui para ler.
  • O episódio sobre Agrotóxicos do podcast Mamilos leva para a mesa de discussão a jornalista Ailin Aleixo, especializada em gastronomia, e a geógrafa e pesquisadora Larissa Bombardi, que produziu o Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil. O papo tem mais de uma hora e aborda questões relacionadas a saúde, política e economia. Clique aqui para ouvir.
  • Para encerrar, vou indicar um texto com um viés um pouco mais pessoal. A Carla Soares, a autora, vive em uma cidade onde as pulverizações aéreas de agrotóxicos acontecem com certa frequência. E só quem vive, sabe exatamente como é. Um trechinho do que ela escreve:

Morando num interior bem no meio da grande produção de soja e milho do agronegócio, esse problema passou a ser muito real pra mim, pra muito além dessa imagem da contaminação generalizada. Eu tenho que lidar com aviões de pulverização enquanto passo nas estradas – é uma imagem assustadora, acreditem -, a cidade as vezes tem um cheiro estranho e os olhos da gente ficam lacrimejando sem uma razão aparente, e quando fui comprar um lote pra construir minha casa tive de verificar o quão perto ele ficava de plantações. Tudo isso é concreto e triste demais, mais do que vocês podem imaginar”.

Carla Soares, Outra Cozinha.

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