A natureza está no mundo bem antes do homem. E aquelas plantas que se desenvolveram espontaneamente em determinada região, seguindo as características de solo, clima e ecossistema são as plantas nativas. Elas já possuem toda uma interação bem definida com outras plantas, com insetos que as polinizam, com algumas espécies de pássaros que se alimentam do fruto.

Em contraponto às plantas nativas existem as exóticas, que são aquelas introduzidas, ou seja, não são originárias de determinada região. 

Elas circularam pelo mundo com as grandes navegações, as colonizações, as pesquisas botânicas e, mais recentemente, com o nosso livre trânsito entre um lugar e outro.

O grande problema das plantas exóticas acontece quando elas se tornam invasoras, dominam a paisagem e tiram as nativas da convivência com as pessoas, levando-as, inclusive, à extinção.

A Palmeira seafortia (uma espécie australiana), por exemplo, está sufocando a vegetação nativa do Parque Trianon, na região central de São Paulo. 

Segundo o botânico Ricardo Cardim conta em seu blog, o Árvores Vivas, essa espécie foi muito usada no paisagismo dos anos 70 e, hoje, a sombra que faz nos sub bosques do parque podem acabar com o que resta de Mata Atlântica no local.

Parque Trianon, em São Paulom que está sendo sufocado pela Palmeira Seafortia. Foto: Maisa Infante

Quando uma planta exótica domina a paisagem, a tendência é que ela ganhe cada vez mais força, já que vai alimentar seu próprio ciclo de propagação. Assim, um pássaro que se alimenta somente de espécies exóticas vai dispersar apenas espécies exóticas. E as nativas deixam de existir por regeneração natural. 

 “Esse é o segundo maior motivo de extinção de espécies no mundo, ou seja, espécies que vão invadindo as áreas, tiram as nativas e chega uma hora que essas nativas deixam de existir”, explica Richieri Antônio Sartori, professor da PUC-RJ.

Serviços ambientais X paisagismo ancestral

Talvez você, assim como eu, esteja se questionando porque, afinal, é importante preservar as plantas nativas. Afinal, nativas e exóticas não prestam os mesmos serviços ambientais, como sombra, regulação de temperatura e umidade e ar mais limpo?

O botânico Ricardo Cardim explica:

“Como todo vegetal, elas prestam estes serviços ambientais, porém, não possuem o contexto ecossistêmico, de equilíbrio ecológico e nem o fator cultural de as pessoas entenderem a sua biodiversidade nativa. As pessoas precisam ser apresentadas e conviver com a paisagem da sua região para que possam valorizá-la e perpetuá-la”.

Como controlar as plantas exóticas na cidade?

Segundo Ricardo, as plantas nativas de São Paulo estão praticamente restritas ao paisagismo privado. O que vemos em praças, parques e nas ruas é basicamente planta exótica.

“A arborização urbana de São Paulo, hoje, tem um domínio de três espécies que são nativas do Brasil, mas não de São Paulo: a Sibipuruna, o Pau ferro e a Mirindiba”, explica Ricardo.

Felizmente, São Paulo já conta com plantadores urbanos, como o grupo Pedra 90 e o Nik Sabbey, que só utilizam plantas nativas nos plantios feitos pela cidade. 

Mas isso não basta. É preciso ter políticas públicas consistentes para trazer de volta o paisagismo ancestral da cidade. Nesse sentido, o papel do cidadão é cobrar, votar e, claro, preservar. 

Quando pensamos de um ponto de vista um pouco mais individual, cada cidadão pode colaborar com esse paisagismo nativo em seus quintais, varandas e jardins privados. O segredo é conhecer e escolher as plantas nativas.

Edifício Seed, da incorporadora Gamaro, foi entregue com uma pequena floresta de Mata Atlântica na varanda. Foto: Divulgação/Gamaro

Além de te aproximar dessas plantas, é uma planta exótica a menos na paisagem porque, não raro, plantas exóticas se tornam invasoras depois de passarem pelos jardins privados, seja porque em algum momento as pessoas abandonam as plantas da moda em terrenos e praças (e os mecanismos naturais de sobrevivência e a fauna polinizadora dão conta de espalhar), seja porque são plantas que possuem flores e frutos que naturalmente vão se propagar se houver condições.. 

“A decoração é apenas uma das qualidades dessas plantas. Então se a gente usar plantas nativas, que atraem avifauna, polinizadores como borboleta, as abelhas nativas sem ferrão, estaremos fazendo muito mais do que uma simples ação. Ainda nos falta esse entendimento de que o paisagismo não é somente decoração, é muito além disso”, diz Ricardo.

Então, se você quer ajudar a cidade pode começar na escolha das plantas que vai colocar dentro da sua casa.

Você também pode gostar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *